Fertilização in Vitro

Fertilização in Vitro (FIV):

o que é, quando é indicada e como funciona

 

O que é FIV?

A fertilização in vitro (FIV) é um tratamento de Reprodução Assistida que tem ajudado muitos casais a realizar o sonho de ter um filho.

É um procedimento de alta complexidade, que envolve uma equipe multidisciplinar (médico, enfermagem, anestesista e embriologista) e várias etapas importantes para garantir o sucesso do tratamento. De forma simplificada, é uma técnica que coloca o espermatozoide e o óvulo em contato fora do corpo da mulher, proporcionando a fertilização em ambiente laboratorial.

Quando é indicada a FIV?

A FIV é indicada para casos de infertilidade (dificuldade para engravidar), principalmente causada por:

  • Obstrução das trompas
  • Gravidez desejada após laqueadura
  • Gravidez desejada após vasectomia
  • Alteração dos espermatozoides
  • Alteração da ovulação
  • Infertilidade Sem Causa Aparente (ISCA)
  • Falha de outros tratamentos

Quais são os passos da FIV?

Podemos dividir a FIV em 5 principais momentos:

1. Estimulação ovariana

Antes mesmo da menstruação ocorrer, são utilizados medicamentos via oral para o preparo dos ovários. Assim que a menstruação se inicia, começa o estímulo com medicamentos injetáveis — as gonadotrofinas — que estimulam a produção de óvulos maduros.

Durante essa fase, são realizadas ultrassonografias seriadas para monitorar o crescimento dos folículos e definir o dia exato da coleta dos óvulos. A etapa dura, em média, de 12 a 15 dias, do início da menstruação até o dia da coleta.

2. Coleta de óvulos

Realizada por meio de uma agulha fina, com aspiração dos óvulos diretamente do ovário guiada por ultrassonografia transvaginal. O procedimento é feito sob sedação, é rápido e indolor, durando em média de 30 a 60 minutos. Os óvulos coletados são enviados imediatamente ao laboratório, que fica ao lado da sala de coleta.

3. Preparação do sêmen

Enquanto os óvulos são coletados, o sêmen do parceiro ou do doador é coletado e preparado, com a separação dos espermatozoides saudáveis. Recomenda-se que a abstinência sexual do homem, nesse dia, não seja maior do que 5 dias.

4. Fertilização

Os óvulos coletados são fertilizados com os espermatozoides, na maioria das vezes através da técnica de ICSI, na qual o espermatozoide é injetado diretamente no óvulo. Em seguida, os óvulos fertilizados vão para uma incubadora que reproduz as condições do corpo da mulher (concentração de oxigênio, gás carbônico, nutrientes e temperatura). Os embriões permanecem na incubadora por 3 a 5 dias, monitorados pela equipe de laboratório.

5. Transferência embrionária

Após o desenvolvimento dos embriões, eles são transferidos para o útero por meio de um cateter fino, inserido pela vagina sob orientação médica. Antes disso, o endométrio precisa estar adequadamente preparado — com medicamentos via oral e monitoramento por ultrassonografia. O procedimento é simples, indolor e não exige anestesia, durando cerca de 10 a 15 minutos. Após a transferência, aguarda-se de 10 a 12 dias para o teste de gravidez.

Quais as chances de sucesso de uma FIV?

O sucesso depende de vários fatores, sendo a idade da mulher o mais importante: quanto maior a idade, menor a quantidade e a qualidade dos óvulos coletados. Qualidade do sêmen e características do endométrio e do útero também influenciam. Em geral, a chance de sucesso varia entre 30% e 60% por tentativa, mas isso é muito individual.

Quantos embriões é possível implantar em uma FIV?

Toda transferência deve respeitar as normas éticas do CFM. Segundo a Resolução CFM nº 2.320/2022 (que revogou a Resolução nº 2.294/21), podem ser transferidos:

  • Até 2 embriões em mulheres com até 37 anos;
  • Até 3 embriões em mulheres com mais de 37 anos;
  • No máximo 2 embriões, independentemente da idade, quando os embriões foram analisados geneticamente e são euploides (cromossomicamente normais).

No caso de óvulos doados, considera-se a idade da doadora como referência.

É possível escolher o sexo do bebê em uma FIV?

Não. É possível verificar o sexo de um embrião já analisado geneticamente antes da transferência, mas isso é diferente de poder escolher o sexo do bebê — a legislação brasileira não permite seleção de sexo, exceto para evitar doenças ligadas ao cromossomo sexual.

É possível escolher características do bebê em uma FIV?

Não é possível escolher nem prever características físicas do bebê em uma FIV.

É possível evitar doenças genéticas com uma FIV?

Sim. Por meio de PGT-A (rastreio de aneuploidias) ou PGT-M (doenças monogênicas), é possível realizar análise genética dos embriões antes da transferência, evitando a transferência de embriões afetados por determinada doença ou com alterações cromossômicas. Não é possível, com a tecnologia atual, editar o DNA do embrião.

Quantos óvulos e embriões é possível obter em uma FIV?

O número depende principalmente de:

  • Idade da mulher
  • Reserva ovariana
  • Resposta dos ovários ao estímulo

Cada mulher responde de forma diferente ao tratamento, o que exige personalização em cada caso.

A FIV sempre resulta em gêmeos?

Não. O risco de gestação múltipla aumenta quando são transferidos 2 ou mais embriões. Por isso, prioriza-se cada vez mais a transferência de embrião único, o que reduz significativamente essa chance.

Quais são os riscos da FIV?

Embora seja um procedimento seguro, alguns riscos potenciais incluem:

  • Síndrome de hiperestimulação ovariana: produção excessiva de óvulos, podendo causar inchaço abdominal e desconforto;
  • Gravidez múltipla: risco aumentado de complicações na gestação;
  • Falha de implantação: nem todo embrião transferido se implanta com sucesso;
  • Nascimento prematuro: risco aumentado, principalmente em gestações múltiplas.

Conclusão

A fertilização in vitro é uma opção eficaz para casais que enfrentam infertilidade. Embora seja segura, é importante entender riscos e taxas de sucesso

Pergunas Frequentes

 

Quando é indicada a FIV?

A FIV é indicada para casos de infertilidade causada principalmente por obstrução das trompas, gravidez desejada após laqueadura ou vasectomia, alteração dos espermatozoides, alteração da ovulação, infertilidade sem causa aparente (ISCA) e falha de outros tratamentos.

 

Quais são os passos da FIV?

 

A FIV tem 5 etapas principais: estimulação ovariana, coleta de óvulos, preparação do sêmen, fertilização (geralmente por ICSI) e transferência embrionária.Quais as chances de sucesso de uma FIV?

Quais as chances de sucesso de uma FIV?

O sucesso depende de vários fatores, sendo a idade da mulher o mais importante. Em geral, a chance de sucesso varia entre 30% e 60% por tentativa, mas é muito individual.

Quantos embriões é possível implantar em uma FIV?

 

Segundo a Resolução CFM nº 2.320/2022, podem ser transferidos até 2 embriões em mulheres com até 37 anos, até 3 embriões em mulheres com mais de 37 anos, e no máximo 2 embriões independentemente da idade quando os embriões são euploides após análise genética.

É possível escolher o sexo do bebê em uma FIV?

 

Não. É possível verificar o sexo de um embrião já analisado geneticamente, mas a legislação brasileira não permite a seleção de sexo, exceto para evitar doenças ligadas ao cromossomo sexual.

É possível evitar doenças genéticas com uma FIV?

Sim, por meio de PGT-A (rastreio de aneuploidias) ou PGT-M (doenças monogênicas), é possível analisar os embriões antes da transferência, evitando embriões afetados por determinada doença ou alteração cromossômica.

A FIV sempre resulta em gêmeos?

Não. O risco de gestação múltipla aumenta quando são transferidos 2 ou mais embriões. Atualmente prioriza-se a transferência de embrião único, reduzindo essa chance significativamente.

Quais são os riscos da FIV?

 

Os principais riscos incluem síndrome de hiperestimulação ovariana, gravidez múltipla, falha de implantação e maior risco de nascimento prematuro.

 

Antes de decidir seguir em frente. Se você está considerando a FIV, converse com seu médico para avaliar se é a melhor opção para o seu caso.

Dr. Gustavo Wandresen

Especialista em Reprodução Humana  |  CRM-PR 22911  |  RQE 28304

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